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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Estudo COMFORT- CDI: Relação entre choques do dispositivo, fatores psicossociais e percepção da doença cardíaca

Tathiane Barbosa Guimarães, Camila da Silva Oliveira, Andreia de Oliveira Pinheiro, Sergio Freitas Siqueira, Martino Martinelli FIlho
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: Choques do cardioversor-desfibrilador implantável (CDI), ansiedade, depressão e personalidade Tipo D são fatores de risco para pior ajustamento psicológico já bem definidos pela literatura. Todavia, pouca atenção é dada à interação entre esses fatores e sua influência nas percepções (i.e. representações cognitivas e emocionais) que portadores de CDI tem em relação à doença cardíaca de base. Esta pesquisa teve como objetivo avaliar a relação entre as variáveis mencionadas e a percepção dos pacientes da sua doença cardíaca, assim como a relação temporal entre a ocorrência de choques do dispositivo e a percepção da doença. Método: Foram avaliados 250 portadores de CDI consecutivos (54.10±15.15 anos, 67% homens), quanto à percepção de doença, por meio do instrumento B-IPQ, relacionando-a com ansiedade, depressão, distress e personalidade tipo D, obtidos pelos instrumentos HADS e DS-14, e a ocorrência de choques do dispositivo no último mês e desde o implante. Os testes Mann-Whitney e X2 foram utilizados para análise estatística. Resultado: A percepção que os pacientes tem da doença cardíaca de base não foi influenciada pela presença de choques, independentemente de terem ocorrido no último mês ou desde o implante (P= 0.08). No entanto, ansiedade, distress, depressão e personalidade Tipo D foram associados à uma pior percepção da doença cardíaca, percebendo-a como uma ameaça, com Odds Ratios de 10.98 (95% CI 5.71-21.11, P= <.0001); 6.92 (95% CI 3.78-12.66, P= <.0001); 5.29 (95% CI 2.85-9.80, P= <.0001); e 2.94 (95% CI 1.66-5.20, P= 0.0001), respectivamente. Pacientes ansiosos, depressivos e Tipo D se associaram à maior percepção de ameaça da doença, considerando: 1- sua doença ter consequências mais graves; 2- não possuir habilidade pessoal para controlar a doença; 3- experienciar mais sintomas atribuídos à cardiopatia; 4- relatar maior preocupação e admitir que a doença os afeta emocionalmente. Os que apresentam distress tem pior percepção em todas as variáveis da escala, exceto compreensão do tratamento. Conclusões: Os achados desse estudo indicam que: 1- A ocorrência de choques do CDI não influencia a percepção de ameaça da doença; 2 - As percepções dos portadores de CDI, em relação à doença cardíaca, são influenciadas pela presença de ansiedade, distress, depressão e personalidade Tipo D. Estes resultados ressaltam a necessidade de uma maior atenção aos fatores psicossociais do portador de CDI.

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